Doença de Parkinson: sintomas, causas, diagnóstico e tratamentos
A doença de Parkinson é uma patologia neurodegenerativa crónica e progressiva que afeta o sistema nervoso central, comprometendo principalmente o controlo dos movimentos. Em Portugal, estima-se que sejam cerca de 20 mil as pessoas afetadas, existindo uma maior prevalência nos homens.
O que é a Doença de Parkinson e que áreas do cérebro afeta
A doença de Parkinson (ou Parkinson) é uma doença neurodegenerativa crónica e progressiva que afeta o sistema nervoso central, em particular as áreas do cérebro envolvidas no controlo dos movimentos, os chamados gânglios da base, estruturas profundas do cérebro fundamentais para o controlo motor, cognitivo e comportamental.
A doença é causada pela degeneração das células da Substantia Nigra, responsáveis pela produção de dopamina. Quando se perde mais de 60% destas células, verifica-se uma redução significativa da dopamina, neurotransmissor essencial para a regulação dos movimentos.
Sintomas da doença de Parkinson: motores e não motores
Os sintomas da doença de Parkinson incluem manifestações motoras e não motoras, que podem surgir em simultâneo ou em momentos diferentes.
Os principais sintomas motores incluem:
- Bradicinésia, ou seja, lentidão nos movimentos;
- Tremor mais frequente em repouso;
- Rigidez;
- Instabilidade postural (nas fases avançadas).
A par destes, são também frequentes os sintomas não motores, entre os quais:
- Distúrbios do sono como a perturbação do comportamento do sono REM;
- Ansiedade e depressão;
- Problemas cognitivos (memória e linguagem);
- Alterações do olfato;
- Distúrbios gastrointestinais e urinários.
Em alguns casos, os sintomas não motores podem surgir antes dos sintomas motores ou seja, anos antes do diagnóstico.
Diagnóstico da Doença de Parkinson
O diagnóstico da doença de Parkinson é principalmente clínico e é realizado por um neurologista.
Baseia-se na avaliação dos sintomas e um exame neurológico aprofundado. Para confirmar o diagnóstico ou excluir outras doenças, podem ser solicitados exames de imagem, tais como:
- Ressonância Magnética (RM);
- Single Photon Emission Computed Tomography – Dopamine Transporter ( SPECT-DAT ou DaTSCAN);
- Tomografia por Emissão de Positrões (PET).
Causas da doença de Parkinson
Nos últimos anos, a investigação tem feito progressos na compreensão das causas da doença; descobriu-se o papel da alfa-sinucleína como constituinte dos corpos de Lewy (agregados proteicos anormais que se desenvolvem no interior das células nervosas e as danificam) e existem importantes estudos genéticos; no entanto, ainda estamos longe de encontrar uma terapia farmacológica eficaz que conduza à cura ou à interrupção da progressão dos sintomas.
Por este motivo, é fundamental uma abordagem clínico-reabilitativa global e integrada que recorra a todos os avanços (farmacológicos, psicológicos e tecnológicos) mais recentes, a fim de tirar o máximo partido das capacidades psicofísicas das pessoas afetadas pela doença de Parkinson e, assim, melhorar a autonomia motora e a qualidade de vida.
Terapia farmacológica
A terapia farmacológica deve ser sempre personalizada e adaptada ao longo do tempo, de acordo com a evolução da doença.
Terapias Avançadas e Cirúrgicas
Quando a terapia farmacológica já não é suficiente e surgem flutuações motoras ou discinésias, podem ser consideradas opções terapêuticas mais avançadas.
Entre estas incluem-se:
- Estimulação Cerebral Profunda (ECP);
- Ultrassons focados guiados por Ressonância Magnética (MRgFUS).
Estilo de vida e reabilitação: uma abordagem multidisciplinar
O tratamento da doença de Parkinson requer uma abordagem multidimensional, que integre terapia farmacológica, reabilitação e estilo de vida.
A atividade física regular é fundamental para manter a mobilidade, o equilíbrio e a flexibilidade, além de contribuir para o bem-estar psicológico. É hoje em dia uma ferramenta terapêutica que pode alterar a história natural da doença.
Do ponto de vista alimentar, recomenda-se uma dieta equilibrada (como a dieta mediterrânica), com algumas atenções específicas:
- Ingerir proteínas preferencialmente na refeição do jantar;
- Garantir um aporte adequado de fibras;
- Manter uma boa hidratação.
Por fim, alguns bons hábitos diários podem apoiar o tratamento da doença:
- Regularizar o sono;
- Evitar o tabagismo e o abuso de álcool;
- Monitorizar a pressão arterial;
A doença de Parkinson é uma doença complexa, mas controlável com uma abordagem integrada. Um diagnóstico precoce e um tratamento personalizado podem melhorar significativamente a qualidade de vida dos doentes.
Na presença de sintomas suspeitos, é importante consultar atempadamente um neurologista especialista.
Revisão médica por: Dra. Dulce Neutel
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