O que é?
A Osteoporose é uma alteração do esqueleto. Caracteriza-se pela diminuição da resistência óssea, tornando os ossos mais suscetíveis a fraturas.
O osso é um tecido vivo em crescimento constante, formado por fosfato de cálcio e colagénio, que lhe confere rigidez e flexibilidade respetivamente. Para manter a massa óssea, o corpo precisa de um fornecimento adequado de cálcio e deve produzir quantidades adequadas de hormonas (h. paratiróide, h. crescimento, calcitonina, estrogénio e testosterona). A vitamina D é necessária à absorção de cálcio dos alimentos, sendo absorvida a partir da dieta e também fabricada na pele através da luz solar.
Durante toda a vida, o tecido ósseo envelhecido é removido (reabsorção óssea realizada pelos osteoclastos) e substituído por tecido novo (formação óssea realizada pelos osteoblastos) para manter saudável a estrutura óssea. Até aos 25/30 anos a formação óssea ocorre mais rapidamente que a reabsorção óssea; como consequência, os ossos aumentam de tamanho, peso e densidade. A partir dos 40/45 anos, a reabsorção óssea passa a ser mais rápida do que a formação, o que torna o tecido ósseo progressivamente mais frágil.
Esta alteração é mais acelerada nas mulheres nos primeiros anos após a menopausa, prosseguindo por toda a vida. Nos homens não há perda significativa de massa óssea antes da 8ª década de vida. Assim, embora a Osteoporose possa afetar tanto homens como mulheres, são geralmente as mulheres as mais afetadas, sobretudo após a menopausa.
Trata-se frequentemente de uma “doença silenciosa” durante anos, cujo primeiro sintoma é muitas vezes o da fratura de um osso. Esta pode ocorrer em qualquer porção do esqueleto, sendo mais frequente a nível das vértebras, cólo do fémur (anca) ou antebraço (punho). Ocorre também com frequência nas costelas e bacia.

Quais os sintomas e consequências associados?
- Fraturas ósseas;
- Dor prolongada;
- Dificuldade em manter-se de pé;
- Diminuição da estatura e curvatura das costas;
- Degradação do estado geral / diminuição da qualidade de vida;
- Redução da autonomia / dependência de terceiros.

Quais os fatores de risco associados?
- Idade avançada;
- Sexo feminino;
- Menopausa, sobretudo se antes dos 45 anos;
- Existência de fraturas de baixo impacto depois dos 40 anos;
- História familiar de fratura da anca;
- Etnia caucasiana/asiática;
- Pequena estatura;
– Constituição magra;
– Alimentação pobre em cálcio e vitamina D;
– Sedentarismo;
– Imobilização prolongada;
– Consumo de álcool, tabaco e café;
– Medicamentos (cortisona, progesterona, quimioterapia, anticonvulsionantes);
– Doenças (artrite reumatóide, doenças de mal-absorção, doença renal crónica, distúrbios hormonais, epilepsia, doenças cancerígenas).

Como prevenir?
A manutenção da massa óssea atingida na puberdade pode ser otimizada por medidas inerentes ao estilo de vida, como:
- Optar por uma alimentação saudável, rica em cálcio (leite, iogurte, queijo, legumes verdes, cereais, pão completo) e vitamina D (carne, peixe; moderada e regular exposição solar);
- Fazer exercício físico regular (caminhada, corrida);
- Evitar o consumo de café, álcool e tabaco;
- Evitar as quedas (evitar pavimentos escuros/molhados e tapetes; optar por calçado antiderrapante).
Contudo, estas condições não garantem por si só que a Osteoporose não se manifeste, dado que existe uma predisposição genética.

Como se diagnostica?
Se o seu médico considerar que existe risco para Osteoporose, possivelmente solicitará a realização de exames complementares: densitometria óssea, radiografias e/ou análises ao sangue (cálcio, vitamina D e marcadores de remodelação óssea).
A densitometria óssea é o exame mais importante para o diagnóstico da Osteoporose, permitindo medir a densidade mineral óssea (DMO). O exame é recomendado para mulheres depois dos 65 anos e homens depois dos 70 anos, ou depois dos 50 anos em ambos os sexos se existirem fatores de risco.

Qual o tratamento?
Perante o diagnóstico de Osteoporose, é geralmente necessário recorrer a suplementos de cálcio e vitamina D e a medicamentos que vão atuar no metabolismo ósseo, promovendo a inibição da perda óssea e/ou a estimulação da formação óssea.
Também as fraturas devem ser tratadas, por vezes recorrendo a cirurgia.

O que são os marcadores de remodelação óssea e qual o interesse da sua determinação na Osteoporose?
São substâncias medidas no soro ou urina que retratam a formação ou reabsorção ósseas:
– Os marcadores de formação óssea são produtos decorrentes da ação dos osteoblastos no processo de formação do osso (fosfatase alcalina óssea, osteocalcina, propeptídeos do colagénio tipo 1);
– Os marcadores de reabsorção óssea são produtos decorrentes da ação dos osteoclastos no processo de reabsorção do osso (hidroxiprolina, NTX, CTX).
Os marcadores de remodelação óssea permitem:
– Orientar sobre o risco de fratura, auxiliando no diagnóstico de Osteoporose (indivíduos com marcadores de reabsorção elevados possuem maior risco de fraturas, podendo nestes casos os marcadores ósseos ser uma alternativa na avaliação de pacientes para os quais as medidas de DMO não estão disponíveis);
– Avaliar precocemente o grau de sucesso/insucesso na resposta à terapêutica introduzida, permitindo ao médico uma otimização precoce na conduta terapêutica (observa-se uma correlação inversa entre a redução dos marcadores ósseos após 3 a 6 meses de tratamento e o ganho de massa óssea, apresentando os marcadores de reabsorção melhor correlação; os efeitos na medição da DMO apenas são discerníveis após 1 a 2 anos de tratamento).
A presença de uma ampla variação nas concentrações destes marcadores devido às sua características biológicas e analíticas, impede por agora a sua utilização no diagnóstico da Osteoporose. No entanto, novas pesquisas e ensaios estão em desenvolvimento rápido e caminham nesta direção...