A lactose é um hidrato de carbono – açúcar –, naturalmente presente no leite e alguns derivados. É uma estrutura complexa, composta por dois monossacáridos: a glicose e galactose.

É nesta forma de moléculas mais simples que é absorvida no intestino delgado, sobre a ação de uma enzina, a lactase.

Uma vez que esta estrutura é “quebrada”, os monossacáridos são absorvidos, metabolizados e utilizados como fonte de energia para o nosso organismo. Este aporte energético impede que outros macronutrientes, como as proteínas, sejam utilizados como tal. Desta forma, têm um papel importante na formação do tecido muscular e podem tornar-se um bom aliado para quem pratica exercício físico.

No entanto, para uma boa digestão da lactose, é necessária a presença da lactase – enzima que catalisa este açúcar. Esta enzima é produzida na mucosa intestinal e, tendencialmente, verifica-se uma perda progressiva da produção da mesma à medida que vamos envelhecendo ou diminuindo o consumo de lacticínios. Consequentemente, há uma diminuição da capacidade de digestão da lactose.

Desta forma, a lactose chega ao intestino grosso sem ser degradada e é fermentada pelas bactérias intestinais, podendo causar algum desconforto intestinal como gases, flatulência, cólicas, distensão abdominal e diarreias, em geral, nos primeiros 30 minutos a duas horas após ingestão – sintomas associados a uma intolerância à lactose.

A Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia estima que mais de um terço da população portuguesa sofre de intolerância à lactose.

O diagnóstico de intolerância à lactose só pode ser comprovado com testes específicos, pelo que é importante confirmar junto de um especialista a causa desses sintomas, se for o caso. Existem diferentes tipos de intolerância à lactose: primária, secundária e congénita. A primária pode ser genética e pode-se desenvolver à medida que o indivíduo envelhece; a secundária (de maior incidência) é provocada por alterações ou doenças do intestino, como doenças inflamatórias ou intoxicações alimentares. Por fim, a congénita é uma forma de intolerância primária, rara, que se manifesta desde o nascimento.

É ainda de marcar que qualquer alteração a nível alimentar deve ser recomendado por um especialista da área em questão, de forma a manter uma alimentação saudável, equilibrada e a garantir o aporte de todos os macro e micronutrientes, com base nas doses diárias recomendadas.

 

Fonte: Sociedade portuguesa de Gastroenterologia